“As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental!”. Com essas palavras nosso querido e saudoso Poetinha, O Vinícius de Moraes, certamente conseguiu alguns inimigos. Mas, vamos deixar a hipocrisia de lado; beleza é realmente fundamental? Sim. Mas... até que ponto?
Antes de tudo, é preciso entender uma coisa: nós somos seres humanos, e antes de sermos... humanos... somos animais. E animais visuais, ou seja, de todos os nossos cinco sentidos, aquele do qual mais dependemos é a nossa visão. Nós não sentimos bem cheiros (tratando-se de feromônios). Nós não escutamos bem. E convenhamos, nosso tato e nosso paladar não passam de meras defesas do organismo (salvaguardando suas óbvias exceções, claro). Agora, nossa visão, que também não é a mais apurada do reino animal (perto de um lince ou duma águia somos tão cegos quanto tatus) é a nossa fonte de referência. Dela dependemos para tudo.
Mas aonde isso nos leva? Nos leva a entender claramente porquê somos tão induzidos e atraídos pelo belo. Não somente o belo tradicional, ou aquele que nos é imposto pela mídia em geral. Mas por aquilo que para nós é belo (afinal, gosto não se discute, certo?).
A estética é tão importante para um bom design quanto a ética a ele empregada.
Enquanto designers e – ok, ok, ok – artistas, somos influenciados diretamente pelo belo, pelo esteticamente correto. Mas obviamente não podemos esquecer que o que é belo para um não é para outro, muito embora haja um consenso entre as partes. E é esse consenso que devemos procurar. Para um bom design – seja de web, seja gráfico ou seja de produto – antes de tudo é preciso saber seu público alvo. Claro! O que é belo para os fãs de Pedro de Lara (calma, é só um chulo exemplo), não seria, provavelmente, belo para os admiradores de Elen Roche.
Um outro exemplo seria a moda. Roupas bonitas estão em corpos igualmente belos, expostos em todas as mídias. Mas será que uma roupa que caia bem no Reynaldo Gianechini vai cair bem em mim? Isso é uma discussão delicada. Afinal, quem dita a moda? A mídia, claro. É ela quem nos diz: “isso é bonito”, “aquele corpo é feio”, e etc. Mas será o belo ideal para todos? Será que uma roupa comprada numa loja no subúrbio atrairia olhares “invejosos” numa festa da classe alta? Um sofá das casas Bahia é tão bom quando um comprado numa loja cara da Barra da Tijuca? Ou será tão bonito quanto? Não sei. O que existe sim é o projeto, o desenho – ou vá lá, o design – específico de cada produto para cada usuário. Cada produto tem o seu público alvo.
Mas como definir isso? Um bom briefing seria uma solução. Para chegar a ele uma pesquisa será necessária, como: alguém que compra um sofá nas casas Bahia, assiste a novela das oito ou vai ao teatro? Lê O EXTRA ou O GLOBO? Escuta a JB FM ou a 105 de bem com a vida? Vai a praia de Ipanema ou ao Piscinão de Ramos? Pode, a primeira vista, parecer preconceituosa tal pesquisa, mas é dela que partiremos para descobrir para quem desenhar.
É extremamente importante o profissionalismo do designer em saber seu publico alvo e para ele projetar, sem, claro, esquecer de que a premissa do design não é a beleza em si, mas a FUNCIONALIDADE. Um desenho bonitinho mas sem qualquer funcionalidade nada mais é do que isso: um desenho bonitinho. E só. O Fera, o designer, é aquele que sabe lançar mão da estética, do belo, do agradável, sem no entanto se esquecer do CONTEÚDO (sempre ele!) e, claro, da funcionalidade. Ambos adaptados ao seu público alvo.
© 2007 - RAFAEL POGGI