Vou ser sincero. Essa era para ser uma matéria sobre a pirotecnia desnecessária que vemos constantemente em sites diversos por esse mundo virtual. Seriam sites amadores? Ou profissionais com purpurina demais e assunto de menos?
Enfim, isso não vem ao caso. Ainda. O fato é que essa denominada pirotecnia não é somente desnecessária no mundo virtual, como também muitíssimo desnecessária em diversos segmentos não só do design, mas como nas artes em geral. Sim, nas artes, o que nos remonta àquela discussão sobre o designer artista (mas que não vou entrar nela hoje). Por isso mesmo vou direto ao ponto em que quero chegar: cinema.
Eu adoro cinema. Mesmo. Lembro a primeira vez que fui ao cinema. Deveria ter pouco mais de 5 anos quando fui ver Bambi com minha família. Cenas chocantes para um público infantil a parte, a mágica da luz que atravessa o celulóide tomou conta de mim de uma forma que nunca poderia imaginar. Era uma enorme televisão e mesmo na época sem os efeitos sonoros dolby soundround que temos disponíveis agora, o impacto foi fulminante. E aquilo era um desenho animado. Imaginem qual não foi minha reação ao assistir a “E.T” e “O Retorno de Jedi” alguns anos depois?
Cresci então com esse ímpeto por novas aventuras nas telas. “Os Goonies”, “De volta para o futuro”, “Indiana Jones” (só para citar alguns de Steven Spielberg)... Mas o tempo foi passando, fui tornando-me (com o perdão da pretensão) intelectualmente mais evoluído e descobri então que, graças a Deus, uma boa história não precisava ser contada com mirabolantes efeitos visuais computadorizados, magnânimas explosões e por aí vai. O que mais eu passei a levar em conta era o roteiro bem contato, amarrado, com reviravoltas e tudo o mais, independente do estilo do filme. Ou seja, o que eu queria era conteúdo. Conteúdo é fundamental! E não falo apenas do cinema. Falo da Tv, do teatro, das revistas, da web. Sim, principalmente da web, já que o mote aqui é o mundo virtual.
Não vou ser hipócrita e dizer que o cinemão de Hollywood não tem mais espaço em minha “mente intelectualizada”. Claro que tem! Adorei MATRIX, com seus efeitos visuais de tirar o fôlego, mas com uma história inteligente e envolvente, sem falar no primeiro JURASSIK PARK, uma revolução até então. Mas a banalização que os efeitos computadorizados trouxeram à produções do estilo apenas enfraquecem a si mesmos, restando-nos uma única pergunta: o que falta inventarem?
Um excelente exemplo também de como efeitos visuais (computadorizados ou não) podem impressionar sem desviar a atenção da história foi o recente TITANIC (De James Cameron). Um espetáculo visual, no entanto sem muita pirotecnia. Também, pudera, não era uma ficção-científica, onde tais efeitos são cada vez mais necessários (não obstante não devam, repito, ser levados em primazia sobre o filme como um todo). E, falando em ficção-científica, cito alguns filmes recentes onde tal pirotecnia é usada sem qualquer pudor. É impensável ter mais de 14 anos e não sair do cinema achando que FINAL FANTASY, TOMB RAIDER, O RETORNO DA MÚMIA ou mesmo o tão esperado EPISÓDIO 1 de GUERRA NAS ESTRELAS não são meramente caça-níqueis, sem qualquer conteúdo, mas não obstante um espetáculo visual, que o tira da poltrona, o leva a um mundo surreal e lhe traz de volta em cerca de duas horas (ou menos). E só.
No caso da web, é preciso levar em conta, claro, que há sites e sites, assim como há filmes e filmes, e alguns deles explicitamente voltados para um determinado público. Há sites magníficos, criados inteiramente em flash, com efeitos visuais e sonoros transcendentais, e até há conteúdo neles, se você procurar; afinal, é web não é a mais democrática ferramenta de mídia que existe? Mas também há sites com design maravilhoso, limpo, que carregam o mesmo conteúdo sem precisar levar “horas” para visualiza-los. Não podemos esquecer que a banda larga da internet ainda é acessada por uma minoria da minoria que navega na rede. E que nem todos os usuários são designers ou programadores.
Para concluir, vou citar um colega, Rafael Frota: “...vamos em busca de novas tecnologias, mas sem deixar de lembrar que os sites não são feitos para designers nem para serem contemplados. Sites são canais de informações e não de tecnologia”. Portanto, esqueça um pouco que o Flash permite um efeito transcendental ou que o Photoshop tem um filtro que vai deixar a sua gif mais nervosa (por assim se dizer). Tenha em mente um objetivo específico, que é o de passar uma mensagem. Ela pode ser linda, impactante e simples. Sem explosões, sem raios laser, sem dolby soundround... Conteúdo é a palavra-chave!
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